Two And a Half Men + Butterfly Effect

Two And a Half Men + Butterfly Effect

Um sonho. Uma pena, enfim

Tive um sonho outra noite, um daqueles que se pode sentir o cheiro e palpar os detalhes.

Acordava e sentia o cheiro de montanha, sem ao menos saber qual o cheiro de montanha, mas era puro e claro. Em uma choupana com pouca coisa, com alguns utensílios pendurados e envolto em cobertor de pele de algum animal caçado com esforço.

Sentia o cheiro já citado e levantei com fome, não havia um café com ovos e bacon, como nos filmes americanos, mas alguma coisa para molhar a garganta, com gosto ácido e ao mesmo tempo agradável. Bebi feliz e saí.

Ao meu redor o mais intenso isolamento, montanhas como as vistas em um filme recente, com neve no topo e um rio, que deduzi frio, embora de aparência muito agradável, onde as aves buscavam seu alimento matinal, que pelo visto era farto, a julgar pelo número de aves e pelo fato de que todas elas saíam do rio com o café da manhã nos bicos.

Voltei à cabana que me abrigava, onde a lareira crepitava um resto de lenha que ainda produzia um agradável calor. Sentei-me onde dormira e refleti a respeito do dia que me aguardava, olhei a parede situada à minha direita e pude observar varas de pescar diversas, instrumento que utilizava para retirar minha subsistência, já que a mercearia ou qualquer coisa do gênero que estivesse mais próxima deveria estar a alguns quilômetros de distância.

O dia se arrastou calmo enquanto pescava ou admirava a paisagem que me encantava, sem pressa, sem compromissos ou qualquer coisa a fazer se não admirar tudo o que possuía mesmo não sendo posse minha, toda a montanha, a neve, a água do rio, as aves, e os animais que me encaravam curiosos, já que, intruso naquele local, era paisagem rara para a fauna que naturalmente habitava aquela região.

A tarde chegou, o sol se foi, trazendo o frio impetuoso naquelas bandas. Uma fogueira, com alguns pedaços de lenha que encontrara aos fundos do casebre, me aquecia de maneira tímida, mas confortável. A noite ia se aproximando, trazendo consigo a sensação de que tudo poderia terminar daquela forma, as estrelas mais luminosas do que já as vira em qualquer noite, num tapete luminoso sobre minha cabeça. Fervia em uma panela velha e gasta alguma coisa que exalava um cheiro curiosamente bom, descobriria tratar-se de um vistoso salmão, que houvera pescado mais cedo. O gosto excelente, mesmo com um estranho tempero que não soube identificar, supriu minhas necessidades, trazendo aquele sono bom que temos depois que estamos satisfeitos…

Deitei-me no mesmo canto, cercado pelas peles que não identifiquei, encantado com o som do rio correndo leve ao longe, o calor me envolvendo aos poucos, a vista ficando turva, a breve claridade do ambiente diminuindo até que fui alcançado pelo sono.

Acordava, o despertador vibrava alto sobre o rack, cinco e vinte da manhã, já era hora de levantar e sair. Pegar ônibus e metrô lotados, estudar, trabalhar para conquistar um mundo de coisas que não necessito, numa vida complicada que gostaria que fosse mais simples, que gostaria que pudesse ser somente um peixe pescado em um rio calmo, mas que não sei se vou alcançar.

Saio de casa com aquela paisagem calma gravada na retina, torcendo ao longo daquele dia para que aquilo tudo, os ônibus, o trânsito, o trabalho que já não me agrada, o cansaço, a insônia, os cigarros, as cervejas que tomo tentando tornar tudo aquilo mais aceitável, a volta pra casa em pé, a distância de tudo, enfim, torcendo para que tudo aquilo fosse o sonho, e eu pudesse acordar calmo em um casebre montanhoso, com o barulho do rio a me despertar, sem muito mais a pensar, a não ser como pescar o peixe de mais um dia ali.

É realmente uma pena, mas não há como não chegar à conclusão de que algumas coisas que acontecem com as pessoas que nos cercam não tem nenhuma relação com nosso comportamento.
Lamento por não haver nada que pudesse ter feito para que as coisas não chegassem a esse ponto.

Sei que devia, mas ainda não consigo entregar os pontos e desistir. Sei também que é arriscado prosseguir, porém o que seria da vida sem os riscos que nos propomos acreditando piamente que valem a pena. Há de chegar o dia em que isso tudo será somente uma divertida história sobre uma fase que passou. Ou não.

O tempo trata de fortalecer para depois afastar, salvo exceções, mas tenham certeza de que estão intrinsecamente, cada um à sua maneira, ligados a esse ser insuportável que vos escreve.

Vou simplesmente agradecer a cada um que lembrou, foi lembrado ou simplesmente esqueceu. Cada um tem seu espaço, e é parte significante do que sou hoje.

Mesmo que não haja mais o contato diário, e mesmo que esse finde, os que me cercam vão plantando as sementes no campo das reminiscências.

Na escola é que se aprende…

Na escola é que se aprende…

“Deixa o amanhã e a gente sorrir, que o coração já quer descansar. Clareia minha vida amor, no olhar…”

“Deixa o amanhã e a gente sorrir, que o coração já quer descansar. Clareia minha vida amor, no olhar…”

Bom mesmo é música boa perto de casa…

Bom mesmo é música boa perto de casa…

Why won’t you help me?
Henrik Tomenius - Suécia
Mais em http://twistedspeedo.com

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Vamos começar tudo de novo de um jeito diferente. Deixemos o passado e vamos olhar pra frente.

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